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05 novembro, 2012

007 - Quantum of Solace (ING/EUA, 2008).


Sequência direta de Cassino Royale, 007 - Quantum of Solace tem início quase que imediatamente após o desfecho do filme anterior, apresentando James Bond (Daniel Craig) em sua busca pessoal por vingança após a morte de Vesper Lynd (Eva Green), que tem como ponto de partida o interrogatório do misterioso Sr. White (Jesper Christensen). Contudo, como nada vem fácil ao agente, este acaba descobrindo uma organização criminosa fantasma intitulada Quantum, que tem como um de seus membros o "filantropo" Dominic Greene (Mathieu Amalric, de O Escafandro e a Borboleta), nome este que funciona como única pista para Bond por grande parte do filme. Talvez o mais político dos filmes da franquia 007, tendo o paralelo entre organizações filantrópicas e enriquecimento escuso como carro-chefe, Quantum of Solace segue as marcas estabelecidas pelo filme antecessor, porém no âmbito geral não se mostra tão amarrado e conciso quanto este ou, para ser direto, tão interessante.

Optando por escalar um diretor com mais renome "artístico", o cargo coube a Marc Forster (Redenção), que faz aqui seu primeiro filme de ação e, como era esperado, não faz feio, pois dosa bem o ritmo de ação - as sequências de ação são inegavelmente inspiradas nos filmes do agente desmemoriado Jason Bourne - e suspense que a obra pede, além de explorar ao máximo a carga dramática da mesma, dando ao filme um clima próximo ao de Cassino Royale. Entretanto, apesar da pegada permanecer a mesma, alguns pequenos detalhes fizeram com que este filme resultasse um pouco inferior aquele, os quais pincelarei a respeito abaixo.

O roteiro, concebido pelos mesmos responsáveis pelo de Cassino Royale (Paul Haggis, Neal Purvis e Robert Wade) traz alguns novos elementos interessantes - como a crítica política - e evolui em alguns pontos o personagem James Bond, contudo em alguns momentos sua condução se mostra um pouco confusa, talvez exageradamente verborrágico, o que dá ao filme um caráter de complexidade que não resulta de forma interessante a obra. Soma-se a essa "confusão" a má opção de Marc Forster  - e de seus montadores Matt Cheese e Rick Pearson - de "picotar" demais as sequências de ação, principalmente a de abertura, que devido ao excesso de cortes e a velocidade de transição entre os mesmos acabam por deixar algumas dessas sequências incompreensíveis e até mesmo cansativas.

Talvez a greve dos roteiristas de 2007 tenha contribuída para esta falta de unidade em alguns momentos, visto que, pela norma legal não haveria como os roteiristas trabalharem novas situações durante as filmagens, cabendo assim ao diretor e equipe técnica bolar alguma situação caso alguma cena ou diálogo não estivesse funcionando a contento. Ademais, este é um dos filmes mais curtos da franquia 007, tendo pouco mais de 100 minutos de metragem, o que talvez contribua para a sensação de que "falta alguma coisa" obtida ao assistir a ele.

O elenco, como de praxe na franquia, continua exemplar. Daniel Craig expande sua força e comprova de uma vez por todas que foi o nome certo para o papel, Judi Dench continua a entregar uma interpretação hipnotizante e os novos nomes, Olga Kurylenko (Centurião), Gemma Arterton (Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo) e Mathieu Amalric, que interpreta o antagonista de Bond, estão bem arranjados em seus determinados papeis. Destes últimos destaco a composição de Amalric, que constrói seu personagem de maneira a dosar sarcasmo e ironia de maneira sutil, tendo sua atitude o poder de despertar mais interesse do que o desenvolvimento irregular do personagem pelos roteiristas.

Alguns críticos foram muito duros com Quantum of Solace (em tradução aproximada, Um Pouco de Consolo), especialmente por o compararem em todos os sentidos ao indiscutivelmente magistral Cassino Royale, entretanto o filme tem seus méritos e apesar da óbvia dependência para com seu antecessor, traz alguns novos elementos importantes, como a revelação da organização Quantum, além de encerrar de "vez" o problema pessoal de James Bond. Também apresenta algumas sequências de ação emblemáticas (inclusive uma aérea de tirar o fôlego) que só não sagram-se perfeitas pois acabam sabotadas pela opção estética do diretor, mas isso não desmerece o resultado final do filme como um todo, que numa análise fria não apontaria como um dos melhores, mas é um bom produto e desperta interesse para a conferência de sua inevitável sequência. 

AVALIAÇÃO
TRAILER

Mais Informações:

Filmes da franquia 007 comentados:
007 Contra o Satânico Dr. No (1962)
Moscou Contra 007 (1963)
007 A Serviço Secreto de Sua Majestade (1969)
007 - Cassino Royale (2006)
007 - Operação Skyfall (2012)
Bilheteria:

01 novembro, 2012

007 - Cassino Royale (Casino Royale, ING/EUA/TCH/ALE, 2006).


Nunca fui fã do personagem James Bond, muito menos de seus filmes, até por que estes não me despertavam interesse. Todavia, eis que 007 - Cassino Royale aconteceu e, se não me despertou a vontade conferir os filmes anteriores (a bem verdade, antes deste só tinha assistido 007 - Um Novo Dia para Morrer, derradeiro da franquia a ter Pierce Brosnan como protagonista), me provocou um súbito interesse pelo personagem a partir daí, muito em razão da "renovação" proposta pelo filme e pela abordagem de origem aplicada no mesmo. Contando com Daniel Craig (Cowboys & Aliens) como James Bond e uma pegada menos fantasiosa (em comparação aos demais títulos da série) e com uma estética parecida com os da franquia "rival" de Jason Bourne, Cassino Royale mostrou-se um grande filme de ação e estabeleceu um novo paradigma a essa que é a franquia de filmes mais longeva do cinema.

Contando com a direção de Martin Campbell (A Máscara do Zorro), em sua segunda incursão na franquia 007 (o neozelandês havia dirigido 007 Contra Goldeneye, em 1995), o filme é visceral do início ao fim, cumprindo muito bem a dupla função de reintroduzir o personagem as novas gerações e de proporcionar um espetáculo de entretenimento independente dos demais filmes. Acompanhamos em Cassino Royale a primeira missão "pra valer" de Bond, e com isso nos são revelados alguns elementos que  possivelmente não haviam sido abordados nos filmes anteriores, fazendo deste literalmente um novo ponto de início.

O roteiro escrito por Neal Purvis, Robert Wade e Paul Haggis (Menina de Ouro) é bem amarrado e gera interesse do início fim, dividindo-se em três atos claros, mas com tons distintos. O filme se inicia com a apresentação do personagem e o estabelecimento do mesmo como o herói da trama, segue com o arranjo do conflito entre Bond e seu arquival da vez, o banqueiro "terrorista" Le Chiffre (Mads Mikkelsen, de Os Três Mosqueteiros - versão de 2011) e se encerra com ótimo gancho dramático envolvendo o agente e sua aparentemente grande paixão, Vesper Lynd (Eva Green, de Sentidos do Amor). Apesar de aparentemente distintos, todos esses eventos são entrelaçados com muita propriedade por Purvis, Wade e Haggis e, somada a direção eficiente de Martin Campbell,  acaba por acarretar no filme mais interessante da franquia até então (obviamente, a comparação só pode ser realizada dentre aqueles que já vi). 

Considerado por alguns como o filme mais bruto da série, em razão da aparente perda da "fanfarronice" intrínseca ao personagem e ao seu universo fictício, acredito que Cassino Royale seja o mais dramático e bem realizado (em termos de produção e execução) da franquia, visto que todas as suas sequências de ação são no mínimo empolgantes - independentemente das comparações com outros produtos filhos dos anos 2000 -, as locações realmente fazem sentido à trama e, mais importante ainda, há dramaticidade suficiente no longa e esta encaixa-se de maneira bastante apropriada ao roteiro, gerando assim o filme mais emocional da longeva carreira do agente James Bond, sem perder em momento algum o senso de ação, aventura e misticismo (no âmbito do carisma, obviamente) tão caros a série. Cassino Royale é no mínimo um filme surpreendente, que deu novo gás ao veterano personagem e, para o bem e para o mal, quebrou alguns paradigmas importantes quanto a mitologia do universo 007.

AVALIAÇÃO
TRAILER

Mais Informações:

Filmes da franquia 007 comentados:
007 Contra o Satânico Dr. No (1962)
Moscou Contra 007 (1963)
007 A Serviço Secreto de Sua Majestade (1969)
007 - Quantum of Solace (2008)
007 - Operação Skyfall (2012)
Bilheteria: