Mostrando postagens com marcador keanu reeves. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador keanu reeves. Mostrar todas as postagens

17 setembro, 2014

Advogado do Diabo (The Devil's Advocate, EUA, 1997).

"O mal tem suas maneiras de vencer" (Livre tradução da frase disposta no poster promocional do filme).
Talvez um "jovem clássico", Advogado do Diabo, de Taylor Hackford (Ray), é ao mesmo tempo um envolvente thriller de tribunal e um suspense de cunho sobrenatural, todavia, recheado de metáforas acerca da índole humano e de sua predileção (natural?) ao casamento com o fácil, com o destacável, com o poder, com a tentação, logo, com o mal. Contando com um Al Pacino (Scarface) no limite entre o "genial" e a caricatura e um Keanu Reeves (Matrix) esforçado - o astro até que tenta representar sentimentos -, o longa baseado na obra best-seller escrita por Andrew Neiderman - cuja adaptação caiu nas mãos da dupla de roteiristas Jonathan Lemkin (Planeta Vermelho) e Tony Gilroy (A Identidade Bourne, A Supremacia Bourne, O Ultimato Bourne, O Legado Bourne) - mostra-se envolvente desde o início, apresentando o poder de convencimento (nem tanto) e determinação do jovem advogado Kevin Lomax (Reeves) e sua ascensão vertiginosa após conhecer o poderoso e influente John Milton (Pacino). Mesmo não sendo um cineasta irrepreensível, Hackford conduz muito bem o filme, acertando no tom e na direção de atores, pecando apenas no corte final, visto que a obra acaba se alongando um pouco. Além dos citados, destaco também o tema da sequência final composto por James Newton Howard (A Vila) - este lembra bastante os arranjos de Jerry Goldsmith para o filme A Profecia - e a fotografia de Andrjej Bartkowiak (Jade) - cujas lentes dão um quê onírico à sobriedade pretendida por Hackford -, além das presenças pontuais de Charlize Theron (Prometheus), Connie Nielsen (Missão: Marte), Craig T. Nelson (Poltergeist) e Jeffrey Jones (A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça). Advogado do Diabo é um suspense psicológico divertidíssimo, que não pretende aprofundar discussões ou apresentar grandes mensagens, mas de uma forma ou de outra, além do fator entretenimento, suscita a possibilidade de boas discussões acerca da (ou das) natureza humana.

★★★★

TRAILER


Mais Informações:

10 janeiro, 2014

Matrix (The Matrix, EUA, 1999).


Considerado um marco do cinema praticamente desde suas primeiras exibições, Matrix mudou não apenas a forma e o estilo de um gênero cinematográfico, mas também a forma de se enxergar o dito cinema pipoca, que com a obra assinada pelos irmãos Andy e Larry (hoje Lana) Wachowski acabou por mudar as regras do jogo. Não que antes de Matrix não existisse filmes de ação, aventura ou ficção-científica que trouxessem discussões que perpassassem o espetáculo, mas foi apenas após o lançamento do filme dos Wachowski que esta união alcançou um nível de excelência que até hoje permanece inalcançável. Forma e conteúdo se encaixam de maneira tão orgânica e atrativa em Matrix que é impossível não alçá-lo à condição de obra de entretenimento mais importante (e impactante) dos últimos vinte anos. Sendo assim, apesar das várias tentativas - algumas até muito boas e competentes -, nenhum filme conseguiu superá-lo em todas as suas qualidades.

Empolgante do início ao fim, abrindo com uma sequência de ação espetacular e apresentando o espectador a um ambiente distópico dominado por maquinas, através da implementação de uma realidade virtual tida como verdadeira para grande parcela da humanidade - eco direto à obra Simulacro e Simulações, do francês Jean Baudrilard -, Matrix confere não apenas elementos de reflexão filosófica no texto do filme, mas também converge diversas mídias em uma só plataforma, tendo como base de inspiração a lógica e a estética de alguns mangás e animes japoneses, a estética das histórias em quadrinhos ocidentais - não à toa grande parte dos storyboards foram filmados de forma praticamente exata -, além de antever a futura estética dos jogos de videogame, especialmente após o advento da técnica bullet-time, outro dos marcos obtidos pelo filme.

Apesar da densidade da trama proposta pelos irmãos Wachowski, é inegável que um dos grandes trunfos do filme reside no seu aparato estético. A fotografia composta por Bill Pope (Ligadas pelo Desejo) é de encher causar espanto, já que consegue transmitir toda a "piração" proposta pelos diretores de forma assimilável aos nossos olhos, tanto no sentido de escolha de lentes, quanto no que se refere a posicionamento de câmera e enquadramento. Pope também consegue trabalhar bem com os vários elementos de computação gráfica postos no filme, especialmente as sequências que utilizam câmera lenta e, obviamente, o recurso bullet-time. A utilização de muitas tomadas em plongée e/ou contra-plongée mostram-se belíssimas e, acima de tudo, servem a narrativa do filme. Uma pena que o fotógrafo não tenha recebido uma indicação ao Oscar (acabou recebendo uma ao Globo de Ouro, mas não foi premiado).

Mas se o que fosse belamente captado não possuísse um alto padrão de qualidade de nada valeria tamanho, sendo assim, nada mais justo do que enaltecer o trabalho das equipes de arte, dentre eles o designer de produção Owen Petterson (Speed Racer), um dos principais responsáveis pela materialização das ideias visuais dos Wachowski, os diretores de arte Hugh Bateup (Superman: O Retorno) e Michelle McGahey (Cidade das Sombras), que dão uma cara distinta ao "mundo real" e ao "mundo da matrix" e a figurinista Kym Barrett (A Viagem), que simplesmente criou moda (no bom sentido). Equipe certa para o projeto certo, seria difícil imaginar o caldeirão de ideias (e referências) proposto por Andy e Larry Wachowski sem a contribuição destes e dos demais envolvidos na equipe de arte do filme. Ainda no campo estético, é válido confirmar que à exceção de uma outra cena (como a que utiliza fogo digital), os efeitos especiais (práticos e digitais) continuam  excepcionais, mérito este das equipes comandadas por John Gaeta ("pai" do efeito bullet-time), Janek Sirrs, Steve Courtley e Jon Thum. Por fim, mas não menos importante, destaco ainda o excelente trabalho realizado pela equipe de som e edição sonora - são eles Dane A. Davis, John T. Reisz, Gregg Rudloff, David E. Campbell e David Lee -, merecidamente premiados com dois prêmios Oscar e um BAFTA.

Outro ponto a ser destacado em Matrix reside na escalação do elenco pelos Wachowski, juntamente a Mali Finn (Número 23) e Shauna Wolifson (Cidades das Sombras). Mesmo não possuindo grandes astros (à época) e contando com alguns atores de qualidade mediana, cada um dos membros do elenco acabou por se encaixar feito luva a seus respectivos personagens, sendo necessário destacar a icônica performance do competentíssimo Hugo Weaving (Capitão América: O Primeiro Vingador) como o enigmático e aterrador agente Smith, a força de caráter expressada por Laurence Fishburne (Apocalypse Now) e seu Morpheus, além de sua disposição física ao papel e a dedicação e carisma de Keanu Reeves (Constantine), que compensa suas limitações como intérprete através de um cuidado todo especial na composição de seu personagem, o hoje icônico Thomas Anderson/Neo. Carrie-Anne Moss (Amnésia) também encontra-se bem como peça-chave para o descobrimento interior de Neo como o escolhido, mas o filme é basicamente dos três citados anteriormente.

Poderoso, eficiente, à frente de seu tempo e instigador de debates, Matrix é a prova viva de que um conjunto de referências aparentemente desconexas em si, quando bem organizadas, é capaz de render uma obra não apenas coerente, mas única. Defendido como o primeiro capítulo de uma trilogia (que veio a ser concretizada quatro anos após o lançamento deste), Matrix funciona perfeitamente isolado, pois traduz de forma veemente conceitos vários acerca da falta de identificação do ser humano com o meio em que vive, cada vez menos propício ao convívio social e mais próximo da tecnologização do ser (ser humano 2.0), além de ajudar a resgatar algumas discussões acerca da realidade posta cujo cerne de identificação reside em apenas um dos cinco sentidos - a visão -, que permeiam a pauta da filosofia desde a antiguidade grega. 

À frente de seu tempo ou não, é inadmissível que esta obra não tenha sido sequer indicada ao Oscar de melhor filme, direção e roteiro original, independentemente dos ótimos nomes que foram contemplados em seu lugar. O que é hoje o filme Regras da Vida, de Lasse Hallstrom, em comparação a Matrix? Até mesmo À Espera de um Milagre, de Frank Darabont e os vencedores do ano nas categorias citadas, Beleza Americana, Sam Mendes e Alan Ball, tremem nas bases quando postos ao lado da obra-prima dos Wachowski. Os prêmios mais visados não vieram, mas sua entrada no rol dos grandes filmes da cinematografia mundial é mais do que fato consumado.

Quer saber quantas estrelas dei para o filme? Acesse minha conta no Filmow. 

TRAILER

Mais Informações: