14 fevereiro, 2014

Machete Kills (EUA, 2013).

"Treinado para matar. Deixado para morrer. De volta para mais" (Livre tradução da frase disposta no poster promocional do filme).
Mesmo assumindo-se como obra propositalmente trash, Machete Kills, sequência do também descartável Machete, de 2010, é mais uma das experiências estético-sensoriais capitaneada pelo cineasta faz-tudo Robert Rodriguez (A Balada do Pistoleiro, Sin City), cujo exercício da função parece mais próximo ao da auto-satisfação e regozijo do que o prazer do público. Se o primeiro filme carrega consigo o gostinho da novidade, esta sequência segue o caminho mais comum do filme segundo: exagerar o que supostamente deu certo no primeiro. Resultado? Sequências non-sense ainda maiores, roteiro recheado de referências (especialmente a Star Wars) mas cujo sentido lógico passou longe e uma enxurrada de defeitos especiais que, proposital ou não, acabam por tirar um tantinho do suposto "brilhantismo" B abraçado por Rodriguez como realizador. 

Mesmo que tenha competência para construir bons filmes ruins, dessa vez o cineasta acabou atropelando um pouco a boa vontade, construindo uma obra que diverte pela alocação inusitada de seu elenco (pelo menos parte dele), mas cujos excessos acabam por ofuscar parte da diversão pretendida pelo filme. Talvez a fórmula tenha sido esgotada já no falso trailer disposto no filme Planeta Terror (integrante do projeto Grindhouse), de 2007, ainda que o longa de 2010 tenha seus méritos. Dito isto declaro aqui que Machete Kills, apesar de pretender, não é um filme horrível, mas poderia render bem mais, especialmente como peça de entretenimento descartável a que se propõe.

Certo de que não se pode levar a sério nada apresentado pelo filme - até as brincadeiras de cunho político-ideológico contidas no roteiro desenvolvido por Rodriguez ao lado de seu irmão, Marcel Rodriguez (As Aventuras de Sharkboy e Lavagirl) e condensadas por Kyle Ward não funcionam -, Machete Kills se esforça bastante para encaixar-se na "categoria" de filme "desliga cérebro" (da qual discordo veementemente), quando na verdade é uma bobagem conduzida por um cineasta mais preocupado em brincar de cinema do que em fazer cinema. Roteirista, diretor, diretor de fotografia, montador, produtor e supervisor de (d)efeitos visuais, Robert Rodriguez consegue provar que pode sim ser multifuncional, mas isto não o faz se transformar em um cineasta mais interessante.

Com um elenco de primeira, formado por nomes como Mel Gibson (Coração Valente), Antonio Banderas (O Príncipe do Deserto), Cuba Gooding Jr. (Homens de Honra), Carlos Estezes, dentre outros, além do mequetrefe Danny Trejo, Machete Kills é um filme de comédia e ação nonsense e enterrado no ridículo, produzido por um falastrão faz-tudo e apoiado por executivos ensandecidos, mas tem sua parcela de graça e pode até divertir os menos intolerantes, mas assim como o primeiro filme sua não existência não faria a mínima falta. Um título para ver uma vez e nunca mais.

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TRAILER

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