20 agosto, 2013

13 Assassinos (Jûsan-nin no shikaku, JAP, 2010).


Sem sombra de dúvidas o cineasta japonês Takashi Miike (Ôdishon) pode ser considerado um herdeiro direto do mestre Akira Kurosawa. Realizador desta excelente obra de ação com contornos "nipo-filosóficos" de honra e moral, Miike se sai bem tanto quando conduz a primeira metade do filme, focada no desenvolvimento da "conspiração" com fins ao assassinato de um nobre de grande influência à sociedade japonesa do século XIX (final do Japão feudal), mas que comete crimes bárbaros sem justificativa plausível que não a "maldade" e/ou a "loucura", quanto ao orquestrar sequências inspiradas de ação, com direito a combates de espada recheados de sangue - mas que em momento algum soam apelativos ou exageradamente gráficos -, que ganham em "realidade" por não se resumir apenas ao espetáculo e a pirotecnia, abraçando ao lado deste sangue o suor, destacando com propriedade que em qualquer batalha o esforço físico demandado é castigante. 13 Assassinos é um remake de um filme assinado por Eiichi Kudo nos anos 1960 - o qual não vi -, mas que se mostra acertado por optar por recontar esta história utilizando uma linguagem moderna, que dá frescor ao gênero, mas sem descaracterizá-lo.

Certamente o filme todo mostra-se interessante, contudo, seu segundo e terceiro atos, que abraçam quase que por inteiro o conflito entre os treze (na verdade doze) samurais incubidos do assassinato de Matsudaira Naritsugu - uma das motivações deste assassinato se deu devido a possibilidade daquele assumir o título de Xogum japonês - e a guarda do nobre, formada por aproximadamente duas centenas de soldados, são os grandes destaques da obra, tanto pelo ritmo e pela série de situações criadas por Miike, com fins a manter o espectador sempre atento ao embate, quanto também pela qualidade da atuação do elenco, especialmente no âmbito físico, pois como frisado anteriormente, são perceptíveis o esforço e o cansaço de todos os envolvidos na peleja.

O senso visual de Takashi Miike é notório e, somando este a predisposição do mesmo à violência, fica fácil de compreender por que alguns o chamam de Quentin Tarantino japonês. Fã confesso de cineastas como David Cronenberg e Paul Verhoeven, além de, obviamente, Kurosawa, Miiki não pode ser reduzido a uma versão nipônica de Tarantino pois, apesar de abraçar uma estética parecida com a do cineasta norte-americano - talvez devido as influências de ambos os cineastas serem similares -, há diferenças entre suas composições, tendo Miiki um caráter mais clássico que o de Tarantino, mesmo que isto não o impeça de aplicar uma narrativa mais moderna, na qual a montagem e a interação entre sequências mais contemplativas com aquelas de ação visceral encontram-se mais próximas. Apesar de possuir uma larga filmografia, Miike não é nenhum especialista em épicos de ação, todavia o que este mostra em 13 Assassinos parece contradizer isto, tamanho o cuidado e organicidade destilado pela obra.

Certamente existem pequenos problemas na construção do filme, especialmente devido ao excesso de informação nos primeiros dez minutos e a opção duvidosa pela criação de uma sequência excessivamente apoiada em efeitos visuais digitais (me refiro ao momento em que os samurais lançam uma dezena de animais contra os soldados de Naritsugu). Fora isso temos uma obra bem conduzida, cujo sendo de direção e empatia mostram-se fortes, tendo todo o poder para despertar a curiosidade e atenção do espectador durante toda a projeção. Uma coisa é certa, quem conseguir vencer a barreira dos primeiros minutos não desgrudará do assento até o último quadro da espetacular sequência de combate após a primeira hora de projeção.

Exemplar de entretenimento de primeiro nível - como faz falta que mais títulos assim cheguem ao Brasil, pois nem só de produção hollywoodiana vive o mundo do cinema pop -, dono de umas das sequências de ação mais espetaculares dos últimos anos, de uma fotografia ora deslumbrante, ora incômoda (a cargo de Nobuyasu Kita) e que conta com um elenco de primeira categoria - destacaria as performances de Kôji Yakusho (talvez mais conhecido por sua participação no filme Babel, de Alejandro González Iñárritu -, que interpreta o líder da trupe de samurais, Shimada Shinzaemon, Gorô Inagaki, que compõe muito bem o antagonista da história, Naritsugu e Yusuke Iseya, que cumpre bem a função de promover alívio cômico ao filme, através de seu personagem, o caçador montanhês Kiga Koyata (o 13º assassino).

13 Assassinos pode ser apontado como um dos melhores épicos de ação da década, muito devido ao senso estético-narrativo do visceral Takashi Miike, que consegue unir com precisão e coerência o requinte artístico de Akira Kurosawa ao grafismo e predisposição à violência da geração Playstation 3. Confesso não conhecer a filmografia de Miike (a única referência que possuo do cineasta é o episódio da série Masters of Horror dirigido pelo mesmo), mas após esta espetacular experiência cinematográfica passarei a acompanhar com mas afinco seus trabalhos, pré e pós este 13 Assassinos.

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