16 dezembro, 2012

O Pacto (Seeking Justice, EUA, 2011).


"A vingança sempre tem um preço" (Livre tradução da frase do poster oficial do filme).
Talvez se tivesse sido lançado há uns vinte anos O Pacto fosse melhor recebido. Um "filmaço" em comparação as últimas incursões  cinematográficas de Nicolas Cage (Vivendo no Limite), este filme com cara de Super-Cine possui uma premissa interessante, dosa bem os momentos de suspense e ação e mesmo que não seja dono de um roteiro espetacular (tanto em realização quanto em novidade) desperta interesse, especialmente por flertar com filmes de vingança da década de 1970, como o cult Desejo de Matar, estrelado por Charles Bronson.

Possivelmente reflexo do inesperado sucesso de Busca Implacável, com Liam Neeson, o filme dirigido pelo veterano Roger Donaldson (Treze Dias Que Abalaram o Mundo) começa bem e tem bons momentos (inclusive o acho superior ao filme estrelado por Neeson), porém as várias reviravoltas somadas a excessiva (para não dizer inexplicável) transformação do personagem de Cage - de professor de literatura a herói de ação - tiram um pouco do charme da fita, mesmo que esta nunca tenha se mostrado um espetáculo cinematográfico.

É bem verdade que do meio para o final Donaldson perde um pouco o controle do filme, especialmente ao deixar livre o roteirista Robert Tannen (A Última Aposta), que opta por esclarecer demais o mistério da organização que "coopta" o personagem de Cage, fragilizando assim o filme, que perde seu caráter de tensão e urgência - além do debate moral levantado - e acaba por focar apenas este mistério e sequências de ação. É notório que o filme não contou com um grande orçamento, porém Roger Donaldson apresenta sensibilidade técnica e constrói o filme com apuro, enquadrando com elegância e decupando o filme com competência. É certo que no âmbito geral este não é um trabalho tão interessante e bem-realizado quanto seu último filme, Efeito Dominó, porém se há o que destacar em O Pacto este seria a direção.

Contando com as participações de January Jones (X-Men: Primeira Classe) e Guy Pearce (Os Infratores) em papéis coadjuvantes, mas sem muito brilho, além de um bastante contido Nicolas Cage, O Pacto está longe de ser um grande filme, especialmente pela previsibilidade que toma conta da trama a partir do segundo ato, contudo não ofende e possui a qualidade de entreter aqueles que não buscam muito além disso, mesmo que o debate sobre a moralidade da justiça pessoal seja parcialmente pincelada pelo filme, o que em si já é um bom diferencial positivo ao mesmo. Enfim, nada de distinto ou ousado é apresentado no filme e o desenvolvimento clichê da trama pode despertar certo incômodo, mas dentre tantas bombas vinculadas ao nome Nicolas Cage nos últimos anos, é certo que este sagra-se no mínimo razoável.

AVALIAÇÃO
 TRAILER

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