09 maio, 2012

O Abrigo (The Divide, EUA, 2012).


Lançado praticamente direto em DVD/Bluray nos Estados Unidos (na verdade estreou em circuito limitadíssimo nos cinemas, portanto pouco visto), The Divide começa de maneira promissora, abordando um grupo de sobreviventes de um suposto ataque nuclear. Este grupo acaba se refugiando numa espécie de "bunker" localizado abaixo do prédio onde moravam, mas o início dos problemas de convivência entre eles e os atritos quanto a administração dos alimentos e de água começam a provocar mudanças drásticas na estrutura social desses sobreviventes. Entretanto, o que poderia ser apresentado  como um estudo bacana acerca de isolamento, luta pela sobrevivência e análise sobre até onde o ser-humano iria quando num estado de necessidade, transforma-se numa espécie de Jogos Mortais com sugestão "ambientação" apocalíptica, visto que ao invés de dilemas psicológicos e luta por controle e liderança, tem-se aqui um festival de sociopata crônica e violência sem propósito algum, quanto ao desenvolvimento do argumento inicial do filme.

Dirigido pelo francês Xavier Gens (Hitman), que sinceramente nunca entregou um bom filme e contando com um elenco sem grandes destaques, a não ser o mais conhecido por trabalhar em séries de TV, Milo Ventimiglia (Rocky Balboa e série Heroes), o canastrão dos anos 1980 Michael Biehn (O Exterminador do Futuro) e a sumida Rosanna Arquette (quem?), The Divide na verdade tem cara e edição de produção feita para TV, seja esta em formato de filme ou minissérie, visto que possuei uma narrativa excessivamente fragmentada - para uma ação dramática que parece representar um espaço de tempo de poucos dias - e  vários pontos de corte durante a projeção (dá para notar sacar perfeitamente onde e quando entrariam os intervalos comerciais). 

Possuidora de bons efeitos visuais e de maquiagem, apesar do aparentemente limitado orçamento - o filme tem cerca de 2 horas de duraçao, e mais de 90% deste se dá num só ambiente -, essa produção não traz nada de novo ou de criativo ao gênero, muito menos soa eficiente no quesito trash proposto. Excessivamente violento, sem muita lógica, quase que totalmente apoiado em sequências recheadas de palavrões e atos de morbidez, The Divide é uma grande decepção, tanto pela prévia boa impressão causado pelo trailer, onde era vendido um filme tenso e dark, mas com uma ideia interessante a ser debatida, quanto por sua execução como um todo, que afora os bons primeiros 20 minutos, não consegue convencer nem mesmo como um Jogos Mortais apocalíptico e genérico. E o que dizer sobre o pretensioso final com um clima misto de melancolia e destruição feitos com o intuito de sensibilizar o espectador? Bem, após 120 minutos de chacinas e conversa mole, não seria um final piegas e sentimentaloide que melhoraria ou pioraria o filme, não é mesmo? 

AVALIAÇÃO:


Trailer:


Mais informações:
Bilheteria: IMDb

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